• Márcia Carini

Phygital e Protocolos de Segurança: velhas expressões que entraram na moda


#vaiterdw é a hashtag que vamos compartilhar nas próximas semanas, desde o anúncio, feito em transmissão ao vivo, nos canais do Design Weekend SP. O Festival acontecerá em formato Phygital e seguindo todos os Protocolos de Segurança. Estou feliz por isso - pois o mercado precisa de um fôlego neste segundo semestre. Na mesma semana, temos o anúncio do evento Phygital de Moda em Milão, o convite para o anúncio de um evento Phigital de CASACOR (o Janelas CASACOR), além de inúmeras lives e especialistas em tendência falando sobre o viver Phygital.



Há duas coisas para falar sobre o termo Phygital: 1) ele é velho 2) ele esconde um perigo bastante grande (não para os eventos que o adotam como formato...não é isso...mas para a nossa conduta com relação a um comportamento realmente alinhado com o futuro).


Sobre o termo ser antigo, me lembro muito bem de um texto do Meio & Mensagem, de 2017 e que vale a pena ser lido hoje: O futuro chegou e ele é Phygital. Embora a autora comece dizendo que esperava, há 20 anos, um termo que definisse a nossa relação entre o mundo físico e o mundo digital, ele já existia e já era até bastante usado - e isso pode ser visto em inúmeras reportagens e artigos desde pelo menos 2012. A verdade é que ela pontuou um momento em que as tecnologias estavam não apenas disponíveis, mas também já incorporadas totalmente ao dia-a-dia. Ou seja...já estávamos vivendo o Phygital (ou Figital, em português) antes da Pandemia.


Epa...espere...mas se o Phygital já existia, então... Pois é... Tenho estudado com certa insistência os países orientais - sobretudo China, Coreia e Japão - para entender como a tecnologia absorve e resolve o dia-a-dia das pessoas - no comércio, na educação, na saúde, no entretenimento e no convívio social. Parodiando o Meio & Mensagem de 3 anos atrás: O futuro chegou e ele se chama DIGITAL. Negar essa evidência, negar essa aparência...como diz a música, é uma loucura. A nossa insistência em afirmar que somos Phygital é nosso desejo de apego a um passo atrás. E quem se apega a um passo atrás não dá um passo a frente.


Parece meio fatalista. E também dá uma certa raiva de ler isso que eu mesma acabei de escrever... porque é tão gostoso usar uma palavra da moda, que parece tão chique, e discorrer sobre ela com a propriedade de quem é "disruptivo". Mas, como já contei aqui, em junho entrevistei o diretor e co-criador do Fuori Salone em Milão, Paolo Casati. Entre as coisas interessantes que ele nos contou: 1) o Fuori Salone, como plataforma, já nasceu digital há 20 anos, com um site de conteúdo e organização dos participantes. 2) no momento da Pandemia, ele resolveu vitaminar seu canal digital, criar novos formatos virtuais - agindo de abril até o final do ano - , e propôs um evento físico (que na verdade, é apenas uma reunião de pequenas ações nos Showrooms de Milão) entre 28 de setembro e 10 de outubro de 2020. Menos da metade das empresas que normalmente estavam com ele antes da Pandemia, viram sentido no novo formato. Até aí, tudo bem, era o esperado. Mas o pulo do gato: a maioria das empresas que ficou com ele já era plugada no formato digital. Estamos falando de indústrias, estamos falando de lojas com e-commerce, estamos falando de empresas de pesquisa.


Dizem que o melhor momento para consertar o barco é quando não precisamos navegar. Pois bem...em 2017, na época do artigo do Meio & Mensagem, quando nos vimos Physical, a melhor ação que poderíamos ter feito era preparar nossas equipes, entender como se lê dados, criar produtos digitais. Muitas empresas, com medo de perder receita, fizeram o contrário. (E, aqui, abro parênteses para contar que em 2006, quando criamos o site www.casa.com.br na Editora Abril passamos a ser Phygital, com revistas impressas e com o site. Nossa equipe, que iniciou grande e bem nutrida, gerou milhões de pageviews e em pouco tempo aquele site era o mais importante no segmento em língua portuguesa. As revistas foram despencando em vendas, o site só crescia. Mesmo assim foi a equipe do digital a primeira a sofrer cortes, perder profissionais... Hoje...no entanto...só site existe).


Mas, afinal, como está a área de arquitetura e design em termos digitais atualmente? Eu posso contar nos dedos as empresas que conhecem de verdade a sua audiência, que têm equipe preparada para um atendimento digital eficiente, que fizeram boas parcerias, que investem em marketing digital que reverta em vendas de fato. Dá tempo de correr atrás do prejuízo? Sempre dá. É preciso começar de algum lugar. E, nesse ponto, até sinto um alento: se vender como Phygital pode ser o primeiro passo. É como uma criança que aprendeu a andar com 10 anos. Mas tudo bem. Just keep walking.


PS: Acabei não falando de Protocolos de Segurança... É que...bem...Protocolos de Segurança nessa pandemia é a coisa mais confusa que existe. Se é que existe. É máscara e gel, talvez. Talvez medidor de temperatura. Talvez eventos ao ar livre. Ou eventos com até 10 pessoas. Não sei. Espero tanto que Protocolo de Segurança volte a ter o mesmo significado que tinha no passado...



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