• Márcia Carini

Esfera de Niemeyer em Leipzig: finalmente pronta


Uma esfera de vidro, encaixada no topo de um prédio. A obra póstuma de Niemeyer, segunda em terras alemãs, finalmente ficou pronta. Ela foi criada um ano antes da morte do arquiteto (falecido em 2012, aos 104 anos). O prédio industrial reservou para a esfera, um restaurante e um espaço de eventos - a entrada acontece pelo terraço do prédio. Em entrevista a revisa alemã Mensch & Maschine, o cliente, Ludwig Koehne, e o arquiteto Harald Kern, que acompanhou a obra, contam como foi o processo de "encomenda" e execução do projeto.



Koehne, que é sócio da Kirow Ardelt e HeiterBlick, empresas que constroem guindastes e bondes ferroviários em Leipzig, estava no Brasil em 2007 e, naquele ano, se encantou com a força arquitetônica de Brasília. Tempos depois conseguiu um encontro com Niemeyer e, acreditando que o arquiteto brasileiro, já centenário, não toparia um projeto sob encomenda apresentou seu desejo: ter um projeto dele na complementação do prédio da empresa. Para sua surpresa, Niemeyer adorou a ideia. Ele tinha pouca presença na Alemanha (na verdade, apenas uma obra - uma residência). O rascunho inicial enviado por Niemeyer para Koehne já trazia exatamente o que se vê na obra. Mais uma vez, ele se mostrou surpreendido. Esperava um pavilhão de exposições...


Foram preciso dois anos para encontrar a equipe que pudesse transformar os detalhes em vida real. O formato curvo, as placas de vidro, a sustentação da esfera pela coluna de concreto. Neste percurso, ocorreu a morte de Niemeyer. O arquiteto Harald Kern, responsável executivo, conta que apenas em 2016, quando a empresa de construção implementou com sucesso um componente de teste, ele acreditou que o projeto realmente seria implementado. "Foi um desafio fazer com que uma forma tão simples e leve parecesse simples e leve", diz ele. No processo eles tiveram o apoio de Jair Valera, arquiteto da equipe de Niemeyer desde 1974. Jair ajuda atua até agora na escolha do mobiliário interno - mesas, cadeiras, tapetes.



Quando questionado sobre essa aposta - onerosa e trabalhosa - Koehne afirma que, sim, a arquitetura é o melhor anúncio para uma empresa. Mas apaixonado por arquitetura, continua: "Construímos ativos duráveis ​​e queremos dar a nossos clientes a confiança de que continuaremos a existir como empresa por um longo tempo: uma empresa que cria um edifício para a eternidade também planeja a longo prazo."




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